Archive for the ‘Liberdade’ Category

GNU/Linux ou Linux?

Wednesday, July 18th, 2007

Marcel Ribeiro Dantas
<marcel@ribeirodantas.com.br>
Cabeça de um gnu, elemento que representa o Software Livre.Pinguim, animal representante do Linux
GNU/Linux ou Linux?

Mais de quinze anos depois do lançamento do GNU/Linux, os usuários desse mesmo sistema operacional ainda tendem a chamá-lo de um modo incorreto, o nominando como Linux, apenas uma parte do sistema.

O Linux na verdade é um kernel, o núcleo do sistema operacional, parte essa responsável pela interação com os periféricos, gerenciamento dos recursos da máquina, ou seja, o kernel é uma parte essencial do sistema como qualquer outra. Já podemos concluir então que embora a justiça não seja o único motivo, é totalmente errado chamar todo o sistema operacional de Linux, já que esse nome representa apenas uma parte de todo o conjunto.

É nesse ponto da discussão que devemos retornar um pouco na história, na década de 80 quando surgiu o Projeto GNU [2], criado por Richard Matthew Stallman. O objetivo do Projeto GNU, era criar um Sistema Operacional totalmente livre, um sistema apenas contendo softwares livres que não restringissem de modo algum a liberdade do usuário nem o obrigasse a aceitar licenças e termos que levassem ele a trair a si próprio e o resto da sociedade.

Como o Unix era proprietário e o objetivo do projeto GNU era construir um sistema operacional totalmente livre, eles basearam-se na estrutura do Unix, reescrevendo cada software e preservando a liberdade, por isso GNU é um acrônimo recursivo para Gnu Não é Unix (do inglês GNU is Not Unix).

Sabendo a história do Projeto GNU, você irá notar que anos depois do início do projeto (dado início em 1984) e meados da década de 90 estava quase tudo terminado. Todos os softwares com a ajuda de diversos colaboradores ao redor do mundo tinham sido concluídos mas faltava ainda uma pequena parte; o kernel. Eles iniciaram o desenvolvimento do GNU Hurd, o kernel esperado para preencher essa lacuna, porém o finlandês Linus Torvalds a preencheu relicenciando como software livre o núcleo Linux, que havia publicado um ano antes, com a recomendação de uso junto com o sistema operacional GNU.

Logo, após a questão de justiça, temos que o Linux depois de muito tempo do início do projeto GNU, começou a participar dele. Então, o GNU não é parte do Linux e sim o Linux do GNU, mesmo isso não fazendo muita diferença.

O problema é que muitos usuários por motivos bem variados preferem chamar apenas de Linux, seja lá pelo lado estético de ser um nome menor, mais simples de se dizer (pronuncia-se LÍ-nux e gúú-noo LÍnux no caso de GNU/Linux), má fé ou apenas ignorância em desconhecer o termo. Vemos então, mais uma vez, que o correto na realidade seria chamar o sistema de GNU/Linux afinal fazemos referência a ele como todo, ou apenas Linux se quisermos nos referir ao kernel (núcleo do sistema).

Problema maior ainda nessa nomenclatura, é o desrespeito a vários usuários que trabalharam no projeto GNU e em vez de serem reconhecidos igualmente os desenvolvedores do kernel, Linux, são esquecidos mesmo o GNU sendo bem maior do que o Linux. Se você não acredita no que acabou de ler, continue a leitura por onde irá obter provas da veracidade dessa afirmação, que inclui aplicações como a GNU C Libraries (glibc), GNU Emacs e outros. Clicando aqui você poderá ter acesso a lista dos pacotes GNU na árvore do current do Slackware (pós Slackware 12.0.0). O linux limita-se apenas ao kernel-headers, kernel-modules e kernel-source.

De acordo com o servidor público do kernel Linux, o tamanho do linux para download é:

linux-2.6.22.tar.gz 08-Jul-2007 23:48 54M (234 MB descompactado)

Tomando como exemplo a distribuição Slackware, o tamanho do Sistema Operacional GNU (soma dos pacotes pertencentes ao projeto) presente na distribuição é:

Sistema Operacional GNU 01-07-2007 23:23:00 1178 MB*

*: Não calculei os pacotes do Sistema Operacional GNU contidos no diretório /testing da distribuição.

Podemos ver então que não há necessidade de chamar o Sistema Operacional GNU/Linux de apenas Linux, pois o próprio GNU é muito maior (de acordo com os dados acima apresentados, quatro vezes maior). Interessante também citar que o Sistema Operacional GNU não se faz apenas de pacotes GNU e sim de diversos Softwares Livres que trabalham com os utilitários GNU.

Espero que ao fim desse artigo você possa saber por que uns chamam de um modo, outros de modos diversificados e qual a diferença de tais nomenclaturas. Lembrem-se que uma vez que o projeto GNU também pensa em “free speech” (liberdade de expressão), você tem total direito de chamar pelo nome que quiser, porém se quer ter respeito pelo esforço de várias pessoas ao redor do mundo, incluindo Brasileiros, não tenha má fé. Chame pelo nome correto; GNU/Linux.

Copyright 2007 Marcel Ribeiro Dantas

Permite-se distribuição, publicação e cópia literal da íntegra deste documento, sem pagamento de royalties, desde que sejam preservadas a nota de copyright, a URL oficial do documento e esta nota de permissão.

http://www.slackware-rn.com.br/~vuln/2007/07/18/gnulinux-ou-linux/

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GNU GPLv3; uma licença malvada?

Tuesday, July 10th, 2007

GNU - Gnu is Not Unix

Olá a todos,

Gostaria inicialmente de agradecer aos usuários que tem mantido o acesso freqüente ao blog, me levando a postar com melhor conteúdo e em curtos intervalos de tempo, e ainda mais a fascinar-me por essa prática tão incrível que é manter um blog.

Estou de férias, outra vitória!! hehehe ;) Mesmo passando nem 20 dias de férias, vão ser o suficiente para colocar ordem nas atividades hehehe :D

Indo direto ao ponto temático do post; a GPLv3. Quando comecei a me interessar sobre licenças de Software Livre como a GNU GPL, licença usada em 3/4 dos Softwares Livres do mundo, ou seja, a mais usada apesar de não ser a primeira a surgir, ouvi comentários de várias pessoas sobre o rascunho da possível GPLv3 classificando que iria ser um fracasso, e ditos do tipo. O problema, é que misteriosamente esses comentários me fizeram ter uma certa aversão a GPLv3, de modo que quando cheguei a III Semana do Software Livre da Universidade Federal do Ceará e vi os bottons da GPLv3 e toda a empolgação do nosso grande representante do FSFLA em território nacional, Alexandre Oliva, em relação a GPLv3, fiquei curioso. Quando soube de sua palestra sobre as licenças existentes e suas modificações em relação a GPLv3, “Magic mirror on the net, what’s the fairest license yet? A GPLv3 fairness tale.”, (Em Inglês) não pude deixar de comparecer, marcando presença nessa excelente palestra.

GPLv3

Desde esse dia mudei todas as minhas concepções sobre a GPLv3, e em vez de abdicar fanaticamente das opiniões de meus amigos OU das do grande Alexandre Oliva, preferi ir a fundo e estudar a licença e o próprio Software Livre. Uma boa prática e até exercício para isso foi elaborar toda a documentação referente ao Gtool, uma simples ferramenta para o Slackware que eu sou desenvolvedor. O Get Tool está licenciado como GNU GPLv2 e graças ao lançamento da GNU GPLv3 e suas qualidades estou junto com o mantenedor do projeto vendo a possibilidade de migrar o mais rápido possível a ferramenta para a GNU GPLv3.

O que tenho visto nos últimos dias são vários blogs, sites de notícias e artigos indo de cara na GPLv3 e a criticando [1] com poucos dados, a definhando sem lógica e de todos os lados tentando derrubá-la como uma má licença sempre apenas com persuasão em vez de apresentar argumentos. Por isso, lhes mostro de primeira mão um artigo em versão longa escrita pelo Alexandre Oliva sobre as novidades da GPLv3, um pouco sobre a GPLv2 e suas diferenças e por que a GPLv3 nasceu; por frescura ou se realmente era preciso nos dias atuais.

Na minha opinião, que chega a se assemelhar muito com a imposta no rascunho do artigo, a GPLv3 nasceu principalmente para fornecer a você, desenvolvedor, mais defesa do seu Software em referência aos espertinhos que sempre estão de olho nas ambiguidades e coisas do tipo para aproveitar-se da licença. Desse modo, sendo mais explícita e adicionando alguns poucos detalhes para aumentar a compatibilidade com outras licenças nasce a GPLv3, uma GPLv2 bem melhorada e excelente para os dias de hoje, dias esses os quais várias empresas e usuários já driblaram as cláusulas da GPLv2.

Uma feliz leitura ao artigo do Oliva e até mais!

Você poderá ler uma versão não-oficial traduzida para o pt-br da GPLv3 clicando aqui. Ainda existe um artigo fazendo primeiras análises sobre a GPLv3 a partir do seu lançamento que pode ser obtido aqui.

Uma matéria mais detalhada e diferente, também escrita por mim, pode ser obtida na minha Coluna na Revista GostodeLer.

Marcel Ribeiro Dantas <ribeirodantas@slackware-rn.com.br>
http://sourceforge.net/projects/gtool

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